Yo! Atitude Hip Hop no Quadrinho Nacional

mb1

Olá colegas,

mal começamos a divulgar o blog e já começo a sentir a coisa fervilhar. Quando alguns problemas estão latentes é assim mesmo: a resistência começa a brotar de diferentes cantos.

O intuito desse blog não é apenas falar de quadrinhos, mas sobre cultura em geral. Lembrando que CULTURA POP é um nome que inventaram pra poderem falar BEM de Transformers e  Trapalhões sem se sentir envergonhado e ainda com um certo ar cult .

Mas enfim, o interessante é que  boa parte das respostas vindas nos comentários e a repercussão maior de gente acessando veio dos fóruns de quadrinhos espalhados pela net. Espalhei por outros cantos relacionados à música e cinema, mas já que os quadrinistas apareceram primeiro, vamos então levantar alguns pontos legais.

Eu sou grande admirador do Rap Nacional. Mas vamos, espera, não páre de me ler agora. Vou explicar ponto por ponto. O Rap Nacional carrega uma atitude firme, forte, e ao mesmo tempo, extremamente rica e flexível. É firme pois é feita por uma minoria sem grana e sem oportunidades que precisa se estabelecer. É flexível porque está aberto a se envolver com diferentes estilos e captar o que rola de legal pelo mundo atual. A contradição dos rappers é sua maior qualidade. Ela proporciona um constante questionamento que não se abala com os desafios e continua seguindo em frente. Como diz Mano Brown em Capítulo 4 Versículo 3: “Violentamente pacífico, vim pra sabotar teu raciocínio”

E daí vem a minha tese de hoje: falta ao quadrinista nacional uma atitude Hip Hop. Tem várias coisas que o movimento hip hop utiliza que deveriam ser pensadas no quadrinho nacional:

1. Misturar passado e presente pensando no futuro:

mb2

Os quadrinhos não são um fenômeno atual. Eles existem já faz uma cara. O que chega ao público brasileiro, normalmente, são as produções mais recentes americanas e japonesas nas bancas. Os chamados “clássicos dos quadrinhos” estão disponíveis, sim, mas ficam depositados nas livrarias por preços altos e em edições de luxo.

Normalmente o que se produz de quadrinho é extremamente focado na produção recente, no que atinge mais gente, na produção mais superficial. Vide pessoal desenhando mil personagens de mangá e anime no orkut, vide uns perdidos defendendo super heroi nacional com collant e poderes mágicos. Quando um cara pega um Eisner pra ler ele acha feio e sem graça – desenhos preto e branco, histórias de dia a dia, que chatice!

Mas sem o Eisner você não teria um simples cheiro de comida desenhado como uma nuvem e guiando a narrativa pela página. Você não teria um título entrando na história e se tornando objeto dentro dela. Eisner é um daqueles que realmente vê longe e quebra padrões: antes de Eisner se desenhava em pequenos quadros, depois de Eisner os quadrinhos são possibilidades infinitas que podem surgir de uma folha em branco.

Posso falar sobre mil outros caras importantes e que fazem parte dos grandes nomes da HQ (Alan Moore, Gaiman, Crepax, Moebius, Scott McCloud…) mas aí estaria me desviando do ponto principal, que é: um trabalho de qualidade PRECISA estudar os trabalhos realizados no passado, PRECISA entender quais foram as revoluções que cada autor trouxe em seu trabalho, PRECISA saber trazer isso para o presente sem parecer peça de museu refeita.

Os caras do Rap são mestres nisso. A influência do Rap Nacional de vários grupos (e pegue aí Racionais, Possemente Zulu, Relatos da Invasão) é o Funk, Jazz, Soul. O Rap se posiciona como evolução da música negra e vai buscar nas raízes do funk o gingado que faz a diferença em contraste com o vocal cortado, duro, batido dos vocalistas atuais. A junção se mostra muito rica, como no vídeo a seguir:

O DJ do Racionais, KL Jay, defende que ao ir numa pista de dança, é legal tocar o hip hop nervoso que faz o povo dançar. Mas que ao menos alguma música das antigas deve entrar. Pra mostrar daonde aquilo veio, pra abrir a mente do pessoal e mostrar como tem coisa antiga boa e atual. Com os quadrinhos é parecido: estude, leia, busque nos quadrinhos antigos de caras bons o que diferenciava o trabalho deles. Tente trazer isso pro seu quadrinho na linguagem, na estética, nas idéias. Subverta o trabalho desses caras velhos mostrando também que o mundo mudou, mas, sobretudo, faça isso para que aos poucos possa saber ONDE está pisando e PARA ONDE está indo. Os quadrinhos tem uma história, seja na Europa, nos EUA ou no Japão… e se você já sabe o que foi feito, pode caminhar para lugares novos.

2. Ligação com o seu público.

ib11

Entenda o seu público. Mas, pra não ficar tão burocrático, não vá fazer pesquisa de mercado. Ouça tua intuição, ouça tuas revoltas, ouça os teus sonhos. Ouça aquelas verdades que você não admite pra ninguém mas que você sabe que também estão fervilhando na cabeça de quem você conhece.

Bote isso pra fora. Seja sincero com você mesmo. Sem fazer média, sem ter vergonha de ser mal avaliado. Voltando para o exemplo do Rap, os Racionais MCs venderam um milhão de cópias do seu cd Sobrevivendo no Inferno na década de 90. Misturando Tim Maia com um rap frio, cinzento, com letras duras e que ditavam a realidade de São Paulo.

Quando Mano Brown fala na música “Vivão e Vivendo”, que eu postei logo acima: “Você está nas ruas de São Paulo, onde vagabundo guarda sentimento na sola do pé… não é pessimismo não, é assim que é” ele não está falando apenas com o pobre. Está falando com todos os brasileiros. É aí que vem a força de quem entende a realidade ao seu redor e entende quem ouve ou lê a sua obra. Um trabalho, quando é bom, é universal: passa pelo regional mas capta uma realidade maior e a traz junto consigo. Racionais toca nos opalões velhos da periferia e toca nas casas de show do Jardins.

Portanto, fale de sua vida, fale do que enxerga, fale do que sente sem medo de encarar as reações. Leva um tempo até você se encontrar, mas durante o processo você aprenderá muita coisa.

3. Muita coletividade na quebrada

er1

Coletividade não é camaradagem. Coletividade é se juntar pra fazer algo maior acontecer. Algo com qualidade. No rap o pessoal tem PAPO RETO, se tá ruim, tá ruim: bora melhorar que ainda não chegou tua hora.

Atualmente se vê uma tendência de criação de coletivos de quadrinistas como O Contínuo, Quarto Mundo e outras organizações como a Revista Front. São iniciativas legais como modo de pensar o trabalho de quadrinhos como organização coletiva. É daí que vem a força de cada um deles. Por outro lado, é importante que nesses grupos não haja a ilusão de que a mera divulgação, auto-satisfação e o ganho de prêmios seja suficiente.

O Quarto Mundo ganhou Angelo Agostini, O Contínuo ganhou HQ Mix, e por aí vai. Todos muito felizes e satisfeitos com a qualidade do seu trabalho. Mas… e a distribuição? Como esses coletivos vão se organizar pra fazer, de fato, o quadrinho chegar ao leitor? E como esses grupos vão se organizar pra criar algo que CRIE INTERESSE no leitor? O Contínuo tem algumas histórias geniais, outras nem tanto, e umas outras extremamente herméticas (vide um dos últimos lançamentos, a Revista Câncer). Não é a toa que se encontra as revistas pra vender só nas bancas da Vila Madalena e na Livraria Cultura.

Os lançamentos de quadrinhos são todos feitos na livraria HQ MIX. Na praça Roosevelt. Point cult pra burguesia endinheirada. Depósito certo para os álbuns publicados pelas editoras e certamente ponto morto pra divulgação do quadrinho nacional.

Os caras do Rap fazem um show com ingresso de 100 reais pra burguesada ir. Na favela, os shows custam no máximo 10 contos. E atingem muito mais gente. Isso sim que é coletividade: o leitor dos quadrinhos é que devia estar intimamente envolvido nos coletivos quadrinistas.

4. Pensar grande

kjay

Ok, você desenha pra caralho mas leva mil anos pra terminar um quadrinho. Fazer quadrinho é tarefa das mais árduas, leva tempo pra pensar roteiro, pensar esboço e composição, fazer arte final, colorir e o caralho. Pense grande: você vai conseguir evoluir nesse ritmo de tartaruga dentro de um mundo cada vez mais ágil?

Olha a entrevista desse cara, um tal de Johandson. Ele é o típico quadrinista que se posiciona como auto-falido. Chama a profissão de quadrinista de suicida e etc, por mais que a entrevistadora tente captar algo de animado e otimista no discurso dele:

Será que esse mundo super rápido não prefere quadrinhos mais simples, porém bem feitos, do que esses quadrinhos ultra-realistas-detalhados que nunca ficam prontos? Você quer satisfazer teu ego ou quer divulgar tuas idéias?

Porque os coletivos são tão fechados? Porque se lança tão pouco material por ano? Porque todo esse apego com a publicação impressa, com o fanzine feito em gráfica, com o álbum de luxo? É pura burrice. Não se pensa grande, porque pensar grande dá trabalho e exige que a gente repense o nosso jeito de desenhar, de agir, de se relacionar com o mundo.

A internet tá aí e a coisa mais fácil é botar uma história boa pra rodar. Os grupos de rap tão tudo com Myspace jogando música nova na net aos poucos pro povão ficar feliz ao invés de fazer todo mundo esperar pela grande-obra-maravilhosa-gravada-num-CD. E olha que Racionais tem moral pra fazer a galera esperar… e você, quadrinista iniciante desconhecido? Acorda, rapaz!

Pensa no momento em que você talvez precise parar de desenhar um pouco pra poder orientar outros ilustradores no futuro. Os manos velhos do rap continuam fazendo seu som, lançando CDs, mas já abriram gravadoras e estão em busca de talentos novos pra fazer a cultura deles crescer. Como isso seria possível no mundo dos quadrinhos?

Encontrei um post no blog do JRP, que apareceu por aqui hoje, em que um de seus leitores reclama:

“Eu não tenho nada contra os Gêmeos, ou o Grampá, mas acho que se eles tem um destaque na mídia, eles deveriam chamar para si alguma responsabilidade em relação ao estado de coisas. Não digo que vão abrir escolas, dar curso de graça, bancar algo ou apadrinhar alguém, mas vai atrás de grana nas instituições, passa a administrar seu próprio material com responsabilidade, estabelece um modelo de trabalho que sirva de referencial.

Eu tenho adotado a frase “prefiro ter sangue nas mãos que água como Pilatos”, porque não dá, no Brasil poucas pessoas chamam para si alguma responsabilidade sobre o que podem e devem fazer.”

O cara tocou num ponto essencial. Agora, convenhamos, como os GRANDES GÊMEOS que cada vez mais se posicionam como  os GRANDES TRABALHADORES DO QUADRINHO NACIONAL, que ganham prêmios junto com os caras da literatura e dizem que “o futuro do quadrinho continuará sendo o papel”, que se desdobram pra produzir uma porrada de coisas EM DUPLA podem indicar algum caminho?

Esses caras já estão velhos. Precisavam ter nascido dez anos depois pra conseguir mudar alguma coisa. Serão os Ângelos Agostinis do futuro.

Enfim, são apenas alguns questionamentos.

Conselho do dia pro quadrinista nacional: Sangue nos zóio!

Abraço,
EgoCego_5

Anúncios

13 Comentários

Arquivado em Uncategorized

13 Respostas para “Yo! Atitude Hip Hop no Quadrinho Nacional

  1. Dersão Assis

    Opa!!! Legal!!!
    Conheci o blog agora e já na minha estréia bati de frente com este tema que na verdade eu também já pensava a respeito!!
    Embora o RAP já não esteja lá essas coisas, eu faço essa comparação constantemente também e vice-versa.
    Uma coisa legal a se comparar aí também, é que o CD do Racionais Sobrevivendo no inferno é tido como o maior e mais bem sucedido álbum de música independente do país. O quadrinho hoje está procurando este caminho também, o “quadrinho independente”…
    Será que teremos um “Racionais dos quadrinhos”?

  2. Dersão Assis

    Bom, aproveitando a deixa aqui pelo assunto, além de desenhista eu também sou beatmaker (crio instrumentais, geralmente de rap), e deixo aí o link para meu myspace
    http://www.myspace.com/dersaomc

    Se o dono do blog não gostar dessa divulgação, já deixo minhas desculpas…por favor apague o post

  3. Fomfim

    Rapaz, sinixtra a parada!

    Mas perdoa-se esses novos grandes nomes das hqs, pois não passam de brasileiros. Ou seria responsa de um Deodato ou um Ivan Reis criar uma editora e produzir o novo ouro dos quadrinhos dessas bandas? O pessoal que consegue, expande (ou tenta) sua prosperidade para os próximos de si. A filha do Deodato trampa com ele, bem como a esposa do cara. Mas fora isso, cada um se satisfaz apenas por garantir o seu. União é utopia.

    O simples fato de produzir com qualidade inconteste é o primeiro passo para a grande maioria. Ou cair no populacho. Luiz Ge ou Maurício de Souza? Yabu pode ser a resposta.

  4. egocego

    Olá Dersão!

    Legal teu comentário e fica a vontade pra postar seus trampos. O pessoal dos quadrinhos tem muito o que aprender com esse pessoal da cultura e da arte digital: precisa-se aprender a fazer quadrinhos como um DJ faz música.

    A lógica da colagem de estilos, da revisitação, da subversão dos estilos antigos e atualização com os estilos novos e, sobretudo, a sintonia com o público que houve o som é importantíssimo para os quadrinhos da nova era.

    O quadrinho feito pelo autor cabeçudo que espera ser reconhecido como artista tem seus dias contados. Os parâmetros de qualidade dele não são os mesmos que o mundo espera. E acredite, o mundo não espera só coisa ruim e superficial: o problema é que o quadrinista ainda não encontrou o meio termo entre ser cult e popular, profundo e superficial, autoral ou colaborativo.

    Mas se a geração atual questiona pouco esses pontos, ela será totalmente varrida por essa geração que já utiliza a internet desde pirralha. É deles que vem a mudança, o que podemos fazer é tentar abrir o caminho e indicar algumas possibilidades.

    Respondendo o FomFim:

    Sobre união ser utopia, talvez ela seja dentro dos moldes em que você está acostumado. Acesse sites como o LiveMocha que propõem um aprendizado de línguas colaborativo. Te garanto que funciona e que não há nada de superficial. São essas grandes ferrramentas e invenções online que devem servir como referência pro povo quadrinista de hoje.

    Um abraço
    EgoCego_n4

  5. Fomfim

    Grande Ego! Só pra agredecer pelo link do livemocha! Ducaralho!

  6. Fomfim e demais,

    Acho que o Egocego está falando em colaboração em termos mais “wiki”, como comentários em blogs, encontro de pessoas com afinidades, críticas ao trabalho durante a própria realização do mesmo (eu diria “em tempo real”), uma retroalimentação de idéias caminhando na direção de uma evolução e de uma eventual ruptura de dogmas e pensamentos da velha guarda.

    Esse negócio de exigir que os “bem-sucedidos” deem sua contribuição para os desafortunados é um reflexo de uma visão de um país que fomenta a mendicância, reflexo de uma cultura em que o trabalho é visto como um fardo e uma obrigação, coisa de gente inferior, ao passo que a Elite só tem o dever de pensar pela gente que trabalha. Em contrapartida, O ESTADO deve prover todos os meios de sustento desse povo… e ainda de quebra temos a mentalidade original jesuíta/católica/maçônica que condiciona ao enaltecimento da pobreza como um valor, moeda de troca pela salvação da alma no pós-vida, que potencializa toda essa mentalidade DE QUE PRECISAMOS SIM DE UMA PORRA DE UM SALVADOR DA PÁTRIA.

    E os alucinados dos MBB, CQB, ficam aguardando a chegada do grande irmão que irá pôr não apenas o quadrinho nacional na sua devida grandeza, como também irá salvar o país…. (parece pensamento da Igreja Adventista: Cristo voltará! Preparem-se! curioso como também parece o fundamento do Fascismo, Nazismo e Integralismo, todos focados na figura de um grande pai, de um grande líder iluminado que conduzirá seu povo ao reino dos céus na terra… Getúlio Vargas conseguiu fazer isso, tudo bem que o reino dele tava mais pra ditadura requenguela, mas, enfim…)

    Se esperar generosidade desses grandes, você é mais um maldito mendigo! ou simplesmente um iludido, ou alguém que, como ouço direto do JRP, só tem vocação para ser EMPREGADINHO de alguém… alguém já se ligou que o emprego formal está sendo aos poucos massacrado e substituído por um tipo de autogerenciamento de carreira pessoal?
    Os freelance não estão herdando o reino dos céus… eles estão é GARANTINDO O DELES aqui sobre a terra!!!

  7. Gringo faz colagem com o passado e mistura de estilos direto… algum dos senhores presentes já leu “Planetary” do Warren Ellis?
    Ou “Top 10” e “Promethea” do Alan Moore?

    Vão fazer referência a obras clássicas do quadrinho revisitadas e reinventando tudo num autêntico discotheque do crazy yankee, ah foda-se, samba do crioulo doido… Os filhadaputa citados souberam fazer isso muito muito muito BEM…

    Tem um gibi de japa que eu adoro, que o autor é fissurado nessas referências a quadrinho de super-herói, entre inúmeros lances de cultura geral, e até mesmo mitologia, tudo num balaio de gato, mas montado de jeito mil vezes mais inteligente que a bosta do Cavaleiro do Zodiáco:
    – GUNNM Hiperfuture Vision e GUNNM Last Order, de Yukito Kishiro. Eu recomendo!

    Ironicamente as premissas iniciais de GARY(Gally), a protagonista de Gunnm, coincidiram com a premissa-gancho-da-série de meu querido e continuamente insultado Alma de Aço: o despertar sem memória com a consequente retomada da vida, uma segunda chance, um recomeço…

    Aí vi que enquanto Kishiro caminhava numa direção mais “Pinóquio”, da personagem se entrosando no mundo sob a tutela de um pai, eu caminhava na direção “Odisséia”, exatamente do ponto em que Ulisses recupera a memória e entende que precisa de qualquer maneira voltar para casa e para sua família. Ao infeliz do Alma, só concedi o impulso de querer voltar para casa… não lhe restaurei a memória!

    E toca a vagabundear pela galáxia povoada em busca de seu próprio povo, uma diretriz de robocop maldita impedindo sempre dele sossegar o facho e se estabelecer tranquilo em qualquer outro canto…

  8. Fomfim

    Aoki, você meio que me perdeu antes do final do seu texto. Recortado demais, não prendeu ninguém.

    O grande Ego deu uma dica legal, que foi o site das línguas lá. Pensar de forma semelhante em termos de hqs é uma boa. Mas não é pra lá que o quarto mundo caminha?

    Existe um sem número de cooperativas e semi editoras e independentes que trabalham nesse foco, de auxílio entre os membros e crescimento de todos. Mesmo que você seja “apenas” um letrista, será bem vindo na parada.

    Mas é preciso entender os que têm um objetivo diferente que não a profissionalização. Fanzine tá aí pra isso. O que quebra a cabeça do pessoal que critica por aqui é também isso de querer pesar todo mundo de forma igual. Blenq é uma merda? Mas é claro! Mas para o objetivo proposto pelos criadores, ele talvez seja perfeito. Deixa eles. O que quebra é Bigornas e amiguinhos esbofetearem incautos ao recomendar fanzines como obras imperdíveis.

  9. DS

    Achei muito legal o texto. Realmente sinto que falta um pouco de contestação e mistura de linguagens/idéias nos quadrinhos nacionais – e não apenas seguir o mais do mesmo…
    Desenho muito pouco – e lentamente, me considero mais leitor que quadrinhista, aindassim vejo alguns pontos que podem ser também refletidos sobre o HipHop x HQ

    1. Multiplicidade. O cara que gosta de hiphop quando vê, está fazendo seus versinhos. Daí pode-se desenvolver um novo artista, poeta. Enquanto (acredito que) um poeta possa surgir em um tempo relativamente pequeno, (eu acredito que) um desenhista/escritor leva uma década ou mais para se formar. Não que um ou outro obtenha sucesso ou mesmo amadurecimento, seja lá quantos anos cada um demore para se apresentar como artista…

    2. Alcance. Para ouvir música você precisa, no mínimo, poder ouvir. Há muito mais ‘ouvintes’ de música que leitores. Os quadrinhos possuem baixíssima penetração, o que fomenta muito menos quadrinhistas (do que músicos). Ler é mais complicado, demorado e complexo. Não que um ou outro meio seja mais fácil de se entender determinada mensagem – mas sabe-se que a leitura no país não é lá grandes coisas mesmo em suportes ‘consagrados’ como a literatura.

    Pode-se pensar que isto nada tem a ver com o texto, mas vejo que foi da dinâmica (também) destes dois pontos que HipoHop conseguiu avançar tanto em tão pouco e os quadrinhos… se arrastam no país.

  10. Internet, meu amigo…. internet… antes a fanzinada tava restrita aos manos e às patotas… agora com a internet, cada um cavoca seus quinze minutos de fama da melhor maneira que puder!

    Se daí dá pra evoluir para alguma coisa profissional, depende da combinação da força da vontade do cara e da qualidade do que ele produz… a melhor medida é a recepção do pessoal que visita a pagininha ou blog do camarada e acompanha seus trabalhos.

    No momento, meu bloguinho (http://almadeaco.blogspot.com) tá só servindo para uma belíssima sessão “recordar é viver”, mas volta e meia sai um pensamento autocrítico sobre minha própria produção, inclusive contextualizando com a época em que cometi esta ou aquela história… este ou aquele desenho…

    Ainda não voltei a desenhar… mas já voltei a pensar sobre o que fiz, e como posso fazer melhor… se tenho o discernimento de como envolver o leitor em minhas tramas e meus escritos, se vou conseguir melhorar o meu desenho e evoluir meu traço, se vou conseguir desenvolver um método de produção mais eficiente, pois minha grande força é bolar as histórias… pôr no papel do jeito que gostaria, têm se mostrado absurdamente difícil.

    E pensamentos confusos e textos SEM pegada cometerei direto e reto… mas é dito que a prática leva à perfeição… só não pedirei desculpas pelas pretensões e pelas persistências nas minha obsessões!

    Abraços!

  11. egocego

    Grandes palavras, Aoki e DS.

    Há caminhos e este seu amadurecimento, Aoki, certamente refletirá em algum trabalho muito interessante. Quanto ao DS, é bastante válido o trabalho que tem realizado publicando o trabalho online.

    Novos tempos pedem novas maneiras de se fazer quadrinhos. Reflitam sobre essa frase, é ela que orientará os trabalhos de sucesso do futuro.

    O próximo post, que sairá entre hoje e amanhã, proporá um novo modelo de produção. É uma aposta, mas como não se fez nada assim antes, pode ser um caminho mais rico para o quadrinho nacional.

    Abraços
    EgoCego_1

  12. Quiof

    embora eu não curta Hip-Hop, acho que algo tem que mudar na HQ Brasileira.

  13. Leonardo

    Finalmente! Alguém que pensa nesse mar de merda!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s